Existe uma ideia que circula entre quem começa em milhas: as milhas devem ser usadas nos voos mais caros. Quase sempre é verdade, mas “quase” é onde está o dinheiro. Neste texto, mostramos por que o internacional e a executiva rendem mais, o que a conta esconde e onde a nossa experiência mostrou o outro lado.
O milheiro não vale sempre o mesmo
Quem aprende a conta do milheiro costuma tratá-la como um número fixo. Não é. O valor de cada milheiro muda com o voo, porque o preço em dinheiro sobe muito mais rápido do que o número de milhas pedido. Por isso voos longos e a classe executiva costumam render muito mais por milha do que uma passagem nacional barata. Se você precisar rever a conta, ela está em Milhas ou dinheiro.
Três voos, três resultados
Números inventados, só para treinar, com a mesma conta de sempre: (preço em dinheiro menos taxas) ÷ milhas em milhares.
- Voo nacional na econômica: R$ 450 ou 12 mil milhas mais R$ 90 de taxas. A conta é 360 ÷ 12, igual a R$ 30 por milheiro.
- Internacional na econômica: R$ 3.000 ou 50 mil milhas mais R$ 700. A conta é 2.300 ÷ 50, igual a R$ 46.
- Internacional na executiva: R$ 18.000 ou 120 mil milhas mais R$ 900. A conta é 17.100 ÷ 120, igual a R$ 142,50.
A pergunta que quase ninguém faz
Aquele R$ 142,50 impressiona, mas só é real se você pagaria R$ 18.000 pela passagem em dinheiro. Se a sua alternativa honesta é a econômica de R$ 3.000, o que você está comprando com as 70 mil milhas a mais é conforto, e a pergunta passa a ser se ele vale esse número de milhas. Pode valer. Só não confunda economia com upgrade.
O que complica no internacional
Disponibilidade é o gargalo. Lugares de resgate na executiva são poucos e somem rápido, então datas flexíveis pesam mais do que o preço. Conferir ida e volta separadamente ajuda, porque pode haver lugar só em um sentido.
As taxas sobem. Em alguns trechos e companhias, chegam a centenas de reais, e nos programas internacionais é comum que a taxa suba com mais frequência do que a quantidade de pontos. Compare sempre o total.
A emissão pode ser trabalhosa. Já fizemos uma emissão na executiva pela tabela fixa da LATAM, que valeu a pena, mas ela passou pelo call center, e a dor de cabeça foi grande. Nos programas que emitem tudo pelo site, o processo é mais simples, mas a disponibilidade costuma ser pior para as rotas mais disputadas.
As regras de remarcação e de cancelamento são próprias de cada programa e podem pesar em viagens longas, planejadas com muita antecedência.
Programas internacionais: vale olhar
Os programas de companhias estrangeiras costumam ser mais generosos em resgates de longa distância e na classe executiva. O Avios, em particular, brilha mais em trechos curtos e médios do que nas grandes viagens. Um dos obstáculos, para o brasileiro, sempre foi o deságio: bancos tradicionais cobram para transferir pontos para esses programas. Isso mudou com alguns caminhos novos, que a gente explica no ebook. Mesmo assim, os pontos internacionais também expiram, e a regra de cada programa é diferente: confira antes.
A ordem certa de planejar
Primeiro defina a janela de datas e veja a disponibilidade nos programas. Depois compare o total em milhas mais taxas com o preço em dinheiro da classe que você de fato compraria. Só então, se fizer sentido, transfira os pontos, aproveitando algum bônus ativo, se houver. Nessa ordem, a transferência vira a última etapa, e não a primeira.
O que fica para o ebook
Lá, o capítulo sobre programas internacionais explica como funciona o Avios, quais companhias compartilham essa moeda, como conectar as contas e como a estratégia de transferir muda quando não há bônus para esperar.

