Não existe o melhor cartão para todo mundo. Existe o melhor para o seu gasto e para o seu jeito de viajar. Dizer isso parece fuga, mas é a parte mais útil de qualquer conversa sobre cartão de milhas, porque quase toda propaganda finge o contrário.
Quatro coisas para avaliar, e uma que engana
Conversão. Quantos pontos o cartão dá pelo que você gasta. A maior parte dos programas conta em dólar, não em real, e o que vale é a cotação do dia do fechamento da fatura. Então um cartão que diz “2,5 pontos” precisa ser lido como 2,5 por dólar, e o número final oscila com o câmbio.
Anuidade. Em geral, quanto melhor o cartão, mais cara ela é. Mas muitos bancos isentam por gasto mensal ou por investimento, e vale negociar: o ideal é o cartão que mais pontua sem que você pague por isso. A isenção costuma ter condição, então confira o que acontece se o seu gasto cair num mês.
Benefícios. Salas VIP, seguro viagem, proteção de preço, descontos. Têm valor real, mas mudam o tempo todo. Só em 2026 vimos vários bancos reduzirem acessos a salas VIP ou exigirem gasto mínimo para mantê-los. Por isso, nunca escolha um cartão por um benefício que o banco pode alterar daqui a três meses.
Programa de destino dos pontos. É para onde seus pontos vão e onde ficam. Esse costuma ser o item decisivo. Programas bancários com parceria com Livelo ou Esfera tendem a ter muito mais promoções de transferência com bônus. Os que transferem direto e sem promoções limitam as chances de multiplicar o que você junta.
A que engana: o cartão de companhia aérea. Ele pontua bem no papel, mas costuma vir sem promoções de conversão e com pouca flexibilidade, porque você já escolheu a companhia antes de saber o que vai emitir. Para quem está começando, preferimos um programa de banco que dê liberdade na hora de escolher para onde mandar os pontos.
A conta que o banco não faz
Para comparar cartões, o raciocínio é sempre o mesmo:
valor por ano = pontos gerados × valor do seu milheiro, menos a anuidade.
O valor do milheiro é o que você realmente consegue por mil milhas ao emitir, e a conta para descobri-lo está em Milhas ou dinheiro. Um exemplo com números inventados, só para treinar:
Você gasta R$ 8.000 por mês no cartão, com o dólar a R$ 5, ou seja, US$ 19.200 por ano, e considera que o seu milheiro vale R$ 25. O cartão A dá 3 pontos por dólar e cobra R$ 900 de anuidade: são 57.600 pontos, que valem R$ 1.440, e sobram R$ 540. O cartão B dá 2 pontos por dólar e não cobra anuidade: são 38.400 pontos, que valem R$ 960. O B rende R$ 420 a mais por ano, e ele parecia pior no anúncio.
A conta também mostra o contrário. Com um gasto menor, a anuidade pesa mais, e o cartão “melhor” pode custar mais do que rende. Foi uma das coisas que mais nos surpreendeu quando fizemos essa conta pela primeira vez com os nossos números.
Onde a conta costuma enganar
- A pontuação cheia raramente vale para todo gasto: há categorias que pontuam menos, e gasto no exterior costuma ter regra própria.
- O valor do milheiro que você assume só existe se você usar as milhas daquele jeito. Não use o melhor caso possível como base.
- Bônus de transferência não entra na conta principal, porque não é garantido. Se vier, é lucro.
- Ponto que expira antes de você usar vale zero.
- Gasto é diferente de patrimônio: cartões que isentam anuidade por investimento exigem manter dinheiro parado no banco, e isso também tem custo.
Cartão não é a única fonte de pontos
Muita gente acha que precisa de um cartão caro para acumular. Não precisa. Compras bonificadas no portal do programa, com qualquer cartão, rendem muito mais pontos por real gasto do que o cartão sozinho, e é assim que a gente acumula a maior parte. Vale ler Como começar a juntar milhas do zero.
Nossa opinião
Cartão é meio, não objetivo. Calcule com o gasto que você já tem, nunca com o que gostaria de gastar. Concentre os pontos em um programa só. E reveja a escolha de tempos em tempos, porque cartões bons surgem e regras mudam. O que era a melhor opção quando pedimos o nosso primeiro cartão não é mais o que a gente recomendaria hoje.
O que fica para o ebook
O ebook traz a tabela com 10 cartões, com pontuação por dólar, benefícios e condições de isenção, além de uma sugestão de cartão por faixa de gasto mensal. É o tipo de informação que muda muito, por isso ela é revista a cada edição, e a mais recente é a de outubro de 2026.

