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Como começar a juntar milhas do zero

Dá para começar sem pagar nada e sem entender tudo de uma vez. A gente aprendeu errando e consertando, e aqui vai o caminho que teria nos poupado tempo.

Milhas parecem um assunto de especialista, cheio de siglas, tabelas e promoções que somem em horas. Na prática, quem está começando precisa entender duas ideias: milha é uma moeda alternativa, e o objetivo não é juntar o máximo, e sim gastar bem o que você junta. Todo o resto é detalhe que você aprende conforme usa.

A gente começou há alguns anos, sem saber quase nada, e hoje as milhas pagam boa parte das nossas viagens. O que mudou tudo não foi gastar mais no cartão. Foi aprender onde os pontos estavam escondidos nas compras que já fazíamos.

Primeiro passo: cadastre-se, de graça

Os programas das companhias aéreas brasileiras, Smiles (GOL), LATAM Pass e Azul Fidelidade, são gratuitos e levam poucos minutos. Sem o cadastro você voa e não acumula nada. Na hora de comprar uma passagem, informe o número do programa. Se esquecer, em geral dá para pedir o crédito depois, dentro de um prazo que cada companhia define.

Existe um segundo grupo de programas que muita gente ignora no começo: os dos bancos e das redes de varejo, como Livelo e Esfera. Eles funcionam como uma moeda intermediária, mais flexível, e qualquer pessoa pode se cadastrar de graça, mesmo sem ser cliente de banco nenhum. É nesses programas que a mágica começa, porque é de lá que você escolhe, mais tarde, para qual companhia mandar os pontos.

A porta de entrada que quase ninguém usa: compras bonificadas

Quando perguntam como a gente junta tantas milhas, a resposta que mais surpreende é que não é pelo cartão. É passando pelo portal do programa antes de comprar. Você entra no site, escolhe a loja parceira, clica para ir até ela e compra normalmente. Dias depois, os pontos caem na conta, muitas vezes em quantidade bem maior do que o cartão daria sozinho.

Para dar uma ideia da escala: numa promoção de 8 pontos por real, uma televisão de R$ 3.000 que você já ia comprar rende 24.000 pontos. Foi assim que uma única compra de eletrodoméstico pagou, para nós, uma passagem para Los Angeles. Nenhum gasto extra, só um clique a mais antes de pagar.

Isso vale para supermercado, roupa, cosméticos, bebidas, eletrônicos e até corrida de aplicativo. E dá para pagar com qualquer cartão, boleto ou Pix, sem precisar de um cartão vinculado ao programa. Só vale uma atenção: confira sempre as regras da oferta, porque algumas categorias ou produtos ficam de fora, e o crédito leva alguns dias.

Concentre, não espalhe

Esse é o conselho que mais repetimos. Pontos espalhados em quatro bancos e cinco companhias não somam nunca o suficiente para uma boa emissão. Escolha um programa bancário como base e concentre tudo nele. Se a ideia é juntar em família, o melhor é ter tudo em um CPF só, com um cartão titular e adicionais: o acúmulo e a emissão ficam muito mais simples, e na maioria dos bancos a fatura de cada pessoa continua separada.

Deixe os pontos no banco até ter uma viagem em mente

Os pontos que ficam no programa do banco costumam vencer mais tarde, ou não vencer, e podem ser enviados para a companhia quando você souber o que vai emitir. Já as milhas dentro da companhia aérea têm prazos menores e, quando saem do banco, em geral não voltam. A regra que seguimos é transferir só quando há uma emissão em mente, ou quando o vencimento está perto.

E o cartão de crédito?

Ele ajuda, mas não é o ponto de partida obrigatório. Você não precisa de uma fatura exorbitante para juntar milhas. O nosso primeiro cartão foi um black de banco digital, que não foi difícil de conseguir, e ele só fez sentido porque entrava num programa que a gente já usava. Se quiser fazer a conta antes de pedir um, leia Cartão de milhas: a conta que o banco não faz por você.

Erros comuns de quem está começando

  • Espalhar pontos em muitos cartões e programas, sem chegar a um saldo útil em nenhum.
  • Transferir para a companhia sem saber o que vai emitir, porque a transferência em geral não volta.
  • Transferir fora de promoção, quando bônus são frequentes e vale esperar.
  • Pagar anuidade de cartão que quase não usa, ou assinar clube por impulso.
  • Comprar pontos sem antes comparar com o preço da passagem em dinheiro.
  • Guardar milhas como se fossem investimento. Elas existem para ser usadas: tabelas mudam, parcerias acabam e prazos vencem.

Um começo simples para os próximos 30 dias

Cadastre-se nas três companhias e em um programa bancário. Use o portal desse programa antes de qualquer compra grande que você já ia fazer. Anote saldo e validade em um lugar só, uma planilha serve. E, quando surgir uma viagem de verdade, é ela que diz em qual programa vale a pena concentrar. Se quiser ver como se calcula quanto vale cada milha, o próximo passo é Milhas ou dinheiro.

O que fica para o ebook

Aqui você tem o raciocínio. No ebook estão a comparação atualizada de cartões, o funcionamento de cada programa nacional e internacional, o passo a passo das promoções de transferência e as ferramentas que a gente usa para acompanhar tudo.

Regras, prazos e valores de milhas mudam com frequência. Confira sempre no site do programa antes de transferir ou emitir. Este texto é informativo e não é recomendação de produto financeiro. O link do ebook é de afiliado da plataforma de venda.

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